O maratonista Alexandre Sartorato vai dar a volta ao mundo correndo. A travessia está prevista para durar 30 semanas, atravessando mais de 30 países nos 5 continentes.
Diário da chegada
Depois de 116 dias de "Volta ao Mundo", finalizei o percurso em Cubatão / SP - Brasil. Escolhi concluir a volta ao Mundo na minha cidade, pois foi aqui em que nasci, cresci e vivo até hoje com minha família e amigos.
Melhorar a imagem de meu país e de minha cidade sempre foi um dos meus objetivos de vida. Minha Cidade por culpa do crescimento Industrial desenfreado e mal planejado, foi por décadas conhecida no mundo como o "Vale da Morte", o lugar mais poluído do mundo. Devido a poluição, muitos cubatenses padeceram de vários males. Tão ruim quanto as doenças adquiridas pelo excesso de poluição foi a destruição total da auto-estima dos cidadãos.
Nunca desanimei e nunca deixei de falar que era daqui. Recusei inúmeros convites para morar e treinar no exterior, onde ganharia muito mais e teria uma infra-estrura muito melhor. Recusei não por ser louco como alguns dizem ou pensam, e sim por amar meus pais e minha cidade. Acredito que se Deus colocou alguém com minha saúde para nascer onde nasci, tenho minhas obrigações.
Em falando em correr, rsrsrs o último dia de volta ao mundo foi tão duro quanto todos os outros 115 dias. Comecei a correr no aeroporto Internacional de Guarulhos / SP, de onde havia desembarcado vindo da Holanda, ainda antes de dia clarear. A minha equipe de apoio disse que eu precisaria correr "apenas" 90 km para chegar em Cubatão (Final do percurso). Com o trajeto definido, iniciei a corrida debaixo de uma grande chuva.
Sai do Aeroporto, atravessei a rodovia Dutra, entrei na Salin Fara Maluf para depois pegar a Rodovia Imigrantes. A chuva continuava a desabar, mas minha determinação e vontade de encontrar minha filha, minha esposa, minha família e o povo que ficou torcendo por mim todo esse tempo era imensa.
Na Rodovia Imigrantes a chuva continuava muito forte e a neblina maior ainda. Depois de ter percorrido cerca de 70 km (esta mais ou menos 20km da chegada), a Polícia Rodoviária me pediu que retornasse (estava na parte de descida, fui obrigado e subir novamente) para concluir a descida pela Anchieta. Apesar de ter que correr cerca de mais 20km (além dos 20 km que faltavam rsrsrs) concordei, pois quando estou na estrada estou para superar limites e não para atrapalhar o trabalho de ninguém. Sempre escoltado por uma viatura da Polícia Rodoviária, subi a Imigrantes e fui em direção à Rodovia Anchieta, onde uma pista fechada sem trânsito estava a minha disposição, este seria o último trecho de rodovia que correria até chegar em Cubatão.
A emoção era grande, pois depois de tudo o que corri faltavam apenas alguns km para tornar real mais um sonho. Logo na entrada da cidade uma viatura do Corpo de Bombeiros e vários cubatenses, que também desafiaram a forte chuva, me aguardavam. Acompanhado pela viatura e por algumas dezenas de carros completei o percurso.
Mais uma vez fiz um sonho tornar-se realidade, a "Volta ao Mundo" assim como "Do Oiapoque ao Chuí", era a partir daquele momento mais uma lenda superada. Em menos de quatro meses, depois de ter me preparado e treinado muito durante quatro anos, fui capaz de fazer algo jamais feito.
Agradeço mais uma vez, a todos aqueles que torceram e colaboraram para que obtivesse êxito. A todos um abraço do tamanho do Mundo.
Alexandre Sartorato
Algumas fotos da viagem:
San Marino
Sede do Parlamento Europeu - Strasbourg, França
Walense Lake, Suíça
Umbria, Itália
21/10/2007
Amsterdam - Holanda
Depois de 113 dias de Volta ao Mundo e percorrer cerca de 10,1 mil quilômetros, chego a Amsterdam, concluindo a travessia do quinto continente. Agora é só voltar para a minha terra.
Sai de Ultrech pela manhã. Depois de alguns quilômetros na rodovia, pego a pequena estrada que segue ao lado do Amsterdam Channel. Daí em diante é duro controlar a emoção: penso na minha mãe – que tanto se empenhou ao longo de sua vida para criar a mim e a meu irmão e que tanto vibrava a cada desafio superado –, no meu pai, que calado deve estar com muitas saudades.
Também penso no meu irmão “cabeção”, que provavelmente foi a primeira pessoa a acreditar no meu potencial esportivo, na minha magnífica e maravilhosa esposa que tem superado toda barra enquanto eu corro, na minha filha Júlia, sem o pai presente por tanto tempo para que outras crianças pudessem ser ajudadas, na minha tia Izilda, na minha avó, nos meus tios, na Téa, na Clícia, no Cássio, no Dr. Helder, Robson, Jordy, Dr. Fink, no sofrido povo cubatense e em todos as pessoas do Brasil e do mundo que, neste andar ou no andar de cima, ajudaram ou torceram para que eu, mais uma vez, conseguisse fazer o que, para o mundo, talvez parecesse impossível.
Durante 113 dias, dos quais 105 correndo e oito, infelizmente, dentro de aeroportos e aviões, acordei as 5h e fui dormir as 23h. Enfrentei mais de 45°C em alguns lugares e muitas vezes menos de 0°C em outros. Chuvas pesadas por alguns dias seguidos e, às vezes, por apenas algumas horas. Perdi duas unhas no pé esquerdo, tive três tendinites, uma em cada canela e uma no joelho direito, minha virilha e saco escrotal estão ultra-assados.
Enfrentei tudo isso correndo, correndo muito, dia após dia, para fazer em menos de quatro meses algo para o qual me preparei quatro anos. Me preparei por tanto tempo com três objetivos:
- mostrar ao mundo que na história da humanidade poucos homens alcançaram o nível de resistência e principalmente de persistência que atingi;
- ajudar a divulgar uma das maiores entidades assistenciais do mundo, a S.O.S. Kinderdorf (Childrens Villages SOS) ou Aldeias Infantis SOS Brasil, a qual tenho a honra e responsabilidade de ser padrinho no nosso país;
- mostrar ao mundo do que um brasileiro nascido em Cubatão é capaz.
Acredito que, graças a Deus, mais uma vez consegui alcançar meus objetivos. Para atravessar 20 paises e pisar nos cinco continentes, gastei 42 pares de tênis, 30 tubos de pomadas contra assaduras, consumi cerca de 1500 litros de água, 700 litros de refrigerante e 150 litros de leite, mais de 600 quilos de comida – pães, macarrão, carnes, bolachas, barras de cereais, chocolate, pizzas, frutas etc.
Falei ou, às vezes, por meio de gestos e mímicas, tive o prazer de me comunicar com muitas pessoas em 12 idiomas diferentes.
Corri por algumas costas litorâneas, próximas ao nível do mar, mas grande parte do percurso foi subindo e descendo gigantes serras como Arlbergpass 1.802 metros.
Quase sempre estive passando por lugares lindíssimos. No Brasil, pela rodovia Rio-Santos, as Serras Gaúchas e a Reserva do Taim. Passei por Montevidéu e pela bela costa litorânea uruguaia, pela romântica Buenos Aires, na Argentina.
Também conheci a moderna Auckland e a estonteante costa litorânea da Nova Zelândia, o Cairo, as Pirâmides de Giza e Alexandria, no misterioso Egito, a histórica Athenas e a encantadora costa litorânea da Grécia. Passei pela européia e asiática Istambul e outras belas cidades turcas, pelas belas montanhas e seus riachos na região entre Bulgária e Macedonia, pela esplendorosa Roma, linda e montanhosa região da Úmbria e pelo histórico caminho de Silandro, na Itália.
Conheci o religioso Vaticano, o glamouroso San Marino, o San Valentino de La Mute, Landeck, o gigantesco e frio Arlbergpass e o Rio Rein, na Áustria. Passei pelo pequeno, em tamanho, e gigante, em beleza, Liechestein, pelos Lagos Wallense e Zurich, na Suíça, pela encantadora Freiburg, na Alemanha, pela imponente Strasbourg, na Franca, pela suntuosa Luxemburgo, pelo belo Rio Mass, em Liege, na Bélgica, e enfim, pela maravilhosa Amsterdam, na Holanda.
Em Amsterdam, fui recebido por Carlos, Jaqueline, Gabriel, Ster, Severino e Triene que formam minha família em Amsterdam. Aqui encontrei Cezar, Tina, Paulo Sergio, Tânia Alves, Ana Aragão, Sabrina, Marlos, Lívia, Rafael, e outros tantos brasileiros.
19/10/2007
Boxtel - Holanda
Começo a jornada em Hasselt, na Bélgica. Os primeiros quilômetros corri na ciclovia próxima a estrada N74. Ao longo da ciclovia, passo por belíssimos jardins. O cuidado que o povo europeu tem com os jardins é incrível.
Dali sigo em direção a N715, onde tem uma quantidade enorme de árvores margeando a pista. Ainda na Bélgica passo por Hechtel, Eksel, Overpelt, Lommel. Às 12h15 atravesso a fronteira da Holanda com a Bélgica. Sinto uma forte emoção, pois a Holanda é o último país que atravessarei antes de voltar ao Brasil para completar a volta ao mundo.
Logo nos primeiros quilômetros na Holanda, passo pelo War Cemitery, em Valken Swaard, um cemitério dos combatentes falecidos na Segunda Grande Guerra Mundial (1939/1945). Aliás, nas cidades que tenho passado nestes últimos dias, os monumentos em homenagem aos combatentes falecidos têm sido muito comum. Me sinto feliz, porque muitos heróis são lembrados, e triste, porque foram mortos pela ignorância e interesse de alguns poucos homens nem tão honrados.
Depois de cruzar algumas pequenas cidades, chego à bela Eidhoven, uma cidade cheia de parques encantadores e bem tratados campos de futebol. Eindhovem é muito conhecida pelos apreciadores do bom futebol. Por lá Romário e Ronaldo, o Fenômeno, fizeram muito sucesso.
Quando entro na Holanda, falo para o Dr. Helder que, à noite, ele iria me pagar uma torta holandesa. Ele me diz que sim. Mas tenho cá minhas duvidas, pois o meu fisioterapeuta disputa comigo o título de homem mais muquirana do mundo (rs rs rs).
17/10/2007
Remouchamps – Bélgica
Inicio o dia em Horscheid com o objetivo de chegar à Bélgica. Desde os primeiros passos, o céu se mostra muito carregado. Apesar de muitas vezes já haver enfrentado temperaturas superiores a 45°C e inferiores a 0°C, quando se trata de clima, na chuva é que sinto a maior dificuldade. Além de incomodar muito, com o tênis encharcado, o risco de lesões, principalmente na região anterior da perna, aumentam muito. A capa me faz transpirar demais e não é o suficiente para me manter seco. Assim, o peso extra que carrego na roupa molhada também aumenta o gasto energético. Os carros têm mais dificuldade em me ver e ainda podem derrapar e acabar me machucando, enfim, a chuva me preocupa muito.
Como se já não bastasse a chuva, que caía e já me preocupava, depois das 9h a chuva aumentou ainda mais. A temperatura que era de aproximadamente 12°C despencou para 4°C, parecendo que ainda era menor. Apesar de tudo, me mantenho correndo, bem forte, como a Júlia, minha filha, me pediu.
Por volta das 11h30, atravessei a fronteira de Luxemburgo com a Bélgica. A chuva continua caindo e eu, correndo. Meus pés, já sem duas unhas e com algumas bolhas, sentem muito. O incômodo é grande. Ainda assim, continuo correndo. Prometi dar uma volta ao mundo correndo cerca de 100 quilômetros por dia. Não é a chuva ou o frio que vão fazer eu deixar de cumprir o meu objetivo.
As estradas estão meio vazias. Um carro que me acompanhou de perto por alguns quilômetros parou no acostamento. Um garoto, Roben, um pequeno admirador, deixou o carro e correndo debaixo daquela chuva veio me conhecer. Troco algumas palavras com Roben e seu pai e sigo correndo Bélgica adentro.
Anoiteceu, ainda chovendo e fazendo muito frio, quando cheguei próximo a Remouchamps. Espero que o dia de amanhã esteja um pouco melhor!
16/10/2007
Horscheid - Luxemburgo
Saio de Orscholz, na Alemanha, pela manhã, com uma temperatura próxima a 0°C. Depois de atravessar Orscholz, Sinz, Nehnining e outras pequenas cidades alemãs, chego ao Rio Mosel, na divisa da Alemanha com Luxemburgo, um lugar lindíssimo.
Em Luxemburgo, passo por Remich, Assel, Roedt, Trintang, Ersage, Moutorf, Sandweiller. Pouco antes de chegar à cidade de Luxemburgo, paro rapidamente para uma foto com os policiais Sra. Scholtes e Sr. Schmit. Por onde tenho passado tenho recebido total apoio dos policiais, então, não posso recusar o pedido.
Em Luxemburgo, pedi uma informação a um cidadão, em inglês, e sou surpreendido com uma resposta em português. Rapidamente, o Sr. Luis Marques, me explicou a direção que deveria seguir.
A cidade de Luxemburgo é exuberante, mas o que me chamou a atenção foram os vários prédios em construção: tudo parece uma grande maquete de tão bem dispostos. Dessa forma, a modernidade se molda aos monumentos históricos e a cidade não para de crescer.
Depois de Luxemburgo, passo por Walferdange, Hollinger, Mersch. Próximo a Roucht, sou surpreendido pelo Sr. Antonio Correia. O amigo português me convida para parar na cidade e jantar em seu restaurante. Sr. Antonio também me explicou que em Luxemburgo residem muitos portugueses. Felizmente (rs rs rs) para o Sr. Antonio, tive que recusar o convite para jantar, pois ainda pretendia correr mais alguns quilômetros.
No inicio da noite, chego à pequena, mas aconchegante, Horscheid, onde sou recebido calorosamente pelo Sr. e Sra. De Vogel e pelo Sr. e Sra. Kappen.
13/10/2007
Bossendorf (França)
Inicio o dia em Antoorf. No café da manhã, como uns pães bastante parecidos com os pães brasileiros. Começo a correr antes do sol nascer.
Meu objetivo era chegar ao território francês. Por volta das 8h, passo por um grupo de mergulhadores que se preparavam para uma exploração. Depois de correr cerca de 25 km, passo por Ichenheim, uma cidade que tem casas muito lindas, que parecem casas de bonecas de tão detalhadas.
Por volta das 10h30 passo por Dundeheim e logo depois por Alteheim, lugares lindos, onde encontro muita neblina e frio.
Como aqui não posso correr por auto-estradas, passo pelas pequenas e, às vezes, estranhas estradas até chegar à divisa da Alemanha com a França. Atravesso a ponte sobre o Rio Rien e piso na França, o 17° país da Volta ao Mundo.
Para chegar a Strasbourg, corro parte do percurso por uma linda floresta. Chego a Strasbourg pouco depois das 13h. A cidade é maravilhosa, magnífica. São construções lindíssimas, cortadas por um belo e movimentado canal.
Ainda na cidade, passo em frente ao pomposo prédio do Parlamento europeu. Na cidade, encontro turistas de todo o mundo. Lá conheci um ciclista. Ao me ver correr, me oferece um bocado de bananas. Eu, claro, aceitei. (rs rs rs)
Ben me acompanhou por alguns quilômetros e me indicou o caminho do Canal Rin. No canal, encontro com ciclistas, patinadores, corredores.
Saio da estradinha, na beira do canal, no final da tarde e sigo por Hodefeldiem até chegar a Bossendorf. Em Bossendorf sou recebido por Frank Gava, um corredor amador, e pela simpaticíssima Madame Adan.
11-10-2007
Zurich (Suíça) até Prag (Alemanha)
Depois de tomar café da manhã com Lucy, minha amiga suíça-brasileira, começo minha jornada em Zurich às 6h20 da manhã. Na primeira hora de corrida, mais uma vez, encontro pouquíssimas pessoas nas ruas.
Saio de Zurich pela 17 Road, com um pouco de neblina. Passo pela bela Dielsdorf, ainda com muito frio. Depois passo por Schofflisdorf, Wasen, Lengnau, Tegerfelden, Dottingen. Em Klingnau, encontro um pouco de dificuldades, pois a pista não tem acostamento e o trânsito estava um pouco "pesado".
Passo por Koblenz, cidade já próxima da fronteira da Suíça com a Alemanha. Por volta das 11h da manhã, chego à ponte que divide os dois países. Na fronteira, sou recebido com muita admiração pelos policiais alemães Carsten e Thomas.
Passo rapidamente por Waldshut e pego a 500 Road em direção às montanhas alemãs. Atravesso lindíssimas cidades antes de sair da rodovia em direção a St. Blasien.
Antes de chegar à cidade, passo por uma micro cidade toda feita de palha. Depois de St. Blasien passo pela magnífica cidade de Bernau, onde a altitude mínima é de 900 metros, com casas lindíssimas. Continuo correndo pelas belas montanhas alemãs até chegar a pequena e aconchegante Prag.
Em Prag, sou recebido por Muhl Gabriele, dona de um restaurante na cidade. Muhl faz parte do quadro de membros da SOS Kinderdorf (Childrens Villages), na Alemanha, instituição que eu tenho a honra e a responsabilidade de ajudar a divulgar no Brasil e no Mundo.
Aqui também conheci Schatzle Gaby e seus filhos Fenix e Lucas, dois garotos extremamente simpáticos e prestativos.
09/10/2007
Áustria, Liechestein e Suíça
Hoje foi um dia inigualável. Saí pela manhã em Blundenz, na Áustria. Passei por alguns belos lugares e por volta das 10h atravessei a fronteira da Áustria com Liechestein, onde mesmo não sendo mais obrigatório, o policial, carinhosamente, fez questão de carimbar meu passaporte.
Atravessei Liechestein, um pequeno, mas lindíssimo país, em cerca de três horas. Era pouco mais de 13h quando atravessei a ponte sobre o belo Rio Rien, divisa de Liechestein com a Suíça.
Em Sargans, corri alguns quilômetros, acompanhado pelo ciclista Peter Muller. Era um sujeito muito simpático e culto que me deu alguns conselhos sobre as condições das estradas suíças.
Depois de Sargans, passei por algumas pequenas cidades até chegar a Walenstadt. Logo depois comecei a correr próximo ao lago Wallense, um dos lugares mais lindos que vi em toda Volta ao Mundo.
Terminei a jornada em Wesen, onde fui recebido pelos atletas do Wesen FC. Todos eles me receberam com o carinho e o respeito que têm sido constante, graças a Deus. Um deles, Domenic, um jovem oficial militar, me dedicou tanta admiração que lhe presenteei com o par de tênis que usei nos três paises. Domenic, apesar de ter apenas 20 anos é dono de uma grande sabedoria. Em certo momento, disse que passaria, a partir de agora, a ajudar e a pedir aos amigos para ajudarem crianças necessitadas de outros paises.
08-10-2007
1802 metros de altitude – Áustria
Início o dia em Tonsens com frio "de doer". Por volta das 7h passo por Prutz, onde cruzo com várias crianças indo para a escola com seus pais. Se Deus quiser logo estarei levando a minha filha também.
Depois de correr pouco mais de 25 km por uma estrada secundária, passando por pequenas cidades, chego a Landeck. De lá pego caminho rumo a Arlbergpass, o lugar mais alto de toda a Volta ao Mundo, com 1802 metros. Ao sair de Landeck sou seguido, de perto, por uma viatura da polícia austríaca.
Estranhei o fato e parei. Do carro, desceram dois policiais de uma simpatia inigualável. Peter Prantl, o mais descontraído diz: "Consegui parar o número um do mundo". Yurgen Yans, o mais sério, me fala sobre o perigo de atravessar Arlbergpass. Depois disso, Peter pega sua agenda e caneta e me pede um autografo. E dizem que o povo europeu e frio...
Depois disso, entro na belíssima Panorama Strabe, uma das estradas mais difíceis do planeta. Passo por altíssimas e lindas cidades: Strengen, Petnev, St. Anton. Por volta das 15h, depois de muito subir, chego a Arlbergpass a 1802 metros de altitude. Para todo lado que olho, vejo montanhas com neves nos cumes, uma imagem impressionante. Desço o Arlbergpass em direção a Blundenz, onde chego por volta das 19h. Na cidade, sou recepcionado pelo jovem casal Max e Cilia.
27/09/07 - Roma - Itália
Hoje, por volta das 14h, cheguei ao aeroporto de Fumicino, na Itália.
Desembarquei e comecei a correr em direção ao Vaticano. Logo no início do percurso, o trânsito era calmo e a estrada era cercada de árvores, mas a calmaria foi substituída pelo trânsito quando entrei na cidade de Roma.
Cheguei ao Vaticano por volta das 17h. Fiquei bastante feliz, pois era um lugar que eu sonhava conhecer. No Vaticano acredito que conquistei vários novos admiradores, de várias nacionalidades. Quando cheguei ao Vaticano, o tempo ainda estava bom e depois de alguns minutos, quando estava saindo, começou a cair uma forte chuva que continuou até o final do dia.
Depois do Vaticano ainda passei por muitos outros lugares maravilhosos em Roma: o Castelo de Santo Ângelo, a Piazza del Tribunale, o Palazzo di Giustizia, o Viale del Muro Torto, a Piazza del Popolo...
Hoje conheci mais uma família magnífica: Mario, Maria Pillar (esposa), e suas filhas Chiara e Nelly. Maria Pillar é enfermeira, como minha esposa, e Mario trabalha com contabilidade. A noite comi uma pizza marguerita na casa de Mario. Nada melhor para começar minha jornada pela Itália.
Durante o jantar, Mario nos contou sobre os lugares que ele conhece e quais lugares seriam interessantes de eu percorrer na Itália.
23/09/2007 Komanovo - Macedônia
Era cerca de 10h quando atravessei a divisa da Bulgária com a Macedônia. Logo nos primeiros quilômetros dentro da Macedônia passei por um lindo parreiral de uvas em Mokdvinjak. Não resisti e pedi um cacho à proprietária. Valentina não me deu apenas um cacho de uvas, mas vários, além de uma sacola cheia de maçãs e pêras colhidas também em seu terreno.
Apesar de estar entre montanhas, o que torna o percurso muito difícil de correr, pude vislumbrar belas paisagens. Em um determinado trecho o percurso ladeava um riacho que, de tão parecido com o que havia no sítio da minha avó, me fez lembrar muito da minha infância. Também me lembrei muito dos banhos de cachoeira que tomo com minha filha (escondido da minha esposa) na pequena cachoeira perto de casa.
Depois de ter percorrido mais de 70 quilômetros encontrei um ciclista muito simpático, que, enquanto me acompanhava, foi me dando algumas informações do que eu poderia encontrar na Macedônia.
No final da tarde cheguei a Komanovo, onde fui bem recepcionado por Dragi, dono de um pequeno mercado na cidade e pelos garotos Nicolas, que traduzia minha conversa com Dragi, e Martim, Vitor e um outro Nicolas, todos muito falantes e simpáticos.
19/09/2007 - Noviiskar - Bulgária
Comecei o dia em plenas montanhas búlgaras a cerca de 70 quilômetros do centro de Sofia (capital). O percurso foi duríssimo, por vezes lembrei da Rodovia Imigrantes (São Paulo - Baixada Santista), local onde treino. O tempo também esteve meio maluco hoje: depois de ter percorrido mais de 70 quilômetros com um belo tempo, o clima virou totalmente, começando a chover, ventar e esfriar muito. Apesar das dificuldades, o percurso era farto de maçãs e uvas. Acabei o dia em Noviiskar com mais de 90 quilômetros percorridos. Em Noviiskar, debaixo de muita chuva, fui recebido por Milko, Simeoni e Lybcho. Jantamos à beira de uma gostosa lareira.
Durante o jantar, Milko, que fala inglês bastante fluente, foi nos falando curiosidades sobre a língua búlgara. Milkon não acompanha muito o futebol brasileiro como a maioria dos búlgaros, mas em compensação adora música brasileira. Ele disse que escuta MPB e samba o dia inteiro.
16/09/2007 - Harmanli - Bulgária
Hoje atravessei a fronteira da Turquia com a Bulgária. Depois de 78 dias de volta ao mundo e de já ter pisado nos cinco continentes entrei no oitavo país. Já passei por Brasil, Uruguai, Argentina, Nova Zelândia, Egito, Grécia e Turquia.
Logo ao entrar no território búlgaro, já me senti em casa: a policial que me atendeu na fronteira para conferir e carimbar o passaporte me desejou boa sorte, o que ocorreu posteriormente com todos os outros policiais. Na estrada até agora tem sido praticamente a mesma coisa, pois todos que passam buzinam e cumprimentam carinhosamente. No fim da tarde, pouco antes de chegar a Harmanli, atravessei a ponte sobre o Rio Maritza, um lugar muito lindo.
Em Harmanli, arrumamos um pequeno tradutor, seu nome Stivan, um garoto de apenas 11 anos com um inglês impecável e uma simpatia inigualável. Me encantei tanto com Stivan que o presenteei com minha camiseta de corrida. Ao ver a emoção nos olhos de Stivan me senti recompensado pelo que venho fazendo.
Terminei a noite comendo pão e um tipo de bife de carne moída muito comum aqui na Bulgária e batendo um bom papo com Camen, um professor de Educação Física apaixonado por esportes que, acredito, se tornou mais um de meus admiradores.
13/09/2007 - Istambul
Hoje finalmente pisei no continente asiático. Havia planejado chegar na Ásia de avião quando saísse da Nova Zelândia, infelizmente por problemas burocráticos não foi possível. Havia pensado em chegar de navio quando saísse do Egito, mas infelizmente quando cheguei em Alexandria (Egito) não encontrei navio. “P... da vida” e talvez um “pouco teimoso” como insistem em dizer por aí, não desisti: resolvi quando saí do Egito em direção à Grécia que modificaria muito meu percurso na Europa, mas não deixaria de pisar na Ásia e faria isso como gosto: CORRENDO!
Apesar de ser possível correr apenas poucos quilômetros neste continente, tive que correr muito para chegar até aqui. Para se ter uma idéia, atravessei toda costa litorânea da Grécia percorrendo uma distância que seria possível atravessar vários outros países na Europa. Agora ainda terei que correr de volta quase todo o percurso que fiz na Turquia para voltar em direção aos outros países que planejei atravessar.
Na Ásia, fiz questão de fazer duas rápidas paradas para trocar os tênis. Foram dois tênis que corri alguns quilômetros em cada continente. Um dos pares guardarei como recordação e o outro, presentearei o meu patrocinador.
Ontem foi aniversário da minha filha Julia, talvez isso tenha me dado mais forças para conseguir hoje pisar na Ásia. Agora posso dizer que já corri nos cinco continentes.
10/09/2007 - Cavuskoy – Turquia
Hoje atravessei a divisa da Grécia com a Turquia e cheguei a Cavuskoy. Infelizmente a princípio a Turquia não fazia parte do meu percurso, por isso hoje quando atravessei a divisa estava um pouco apreensivo, pois havia estudado muito pouco sobre o país.
No entanto, graças a Deus fui começar a correr uns poucos metros no país para sentir a simpatia do povo. Durante todo o dia, por onde eu passava, os motoristas buzinavam e as pessoas acenavam. No fınal da tarde, quando cheguei na pequena Cavuskoy, quase toda a cidade foi para a rua para me receber. Que todos os dias na Turquia sejam como hoje. Ah, a simpatia e o carinho das pessoas foi tamanha que eu já estava esquecendo uma coisa: o percurso que fiz hoje tinha tanto sobe e desce que parecia que eu estava passando todo o dia numa montanha russa (aqui, montanhas turcas, é claro).
Acabei o dia em um restaurante batendo um saudável papo com os amigos turcos. Não sei nada da língua deles, mas me entendi muito bem com eles. Quando um ou outro não entendiam algo era só fazer um desenho.