O maratonista Alexandre Sartorato vai dar a volta ao mundo correndo. A travessia está prevista para durar 30 semanas, atravessando mais de 30 países nos 5 continentes.
A primeira parada fora do Brasil
01/08/07 Pelotas-RS a Chuy-Uruguai
Finalmente cruzei a primeira fronteira entre países neste desafio. A emoção de ter chegado aqui foi muito grande. Me lembrei de muitas coisas, entre elas do compromisso que assumi quando terminei o desafio do Oiapoque ao Chuí em 2003. Na ocasião, prometi que um dia daria a Volta ao Mundo, se possível divulgando o combate à fome e à miséria no planeta, e aqui estou. Apesar de todas dificuldades, de tantos anos de preparação física e mental, mais uma vez chego ao município do Chuí, como dizem por aqui, "onde começa o Brasil".
Minha chegada não poderia ser melhor. Em poucos minutos, fui reconhecido por um empresário local, Sr. Juan Cariboni, um uruguaio que guarda muito carinho pela minha pessoa. Se aproximou, me cumprimentou e ofereceu toda assistência para mim e minha equipe nos instalarmos em um hotel da cidade no lado uruguaio, como cortesia.
E por falar nisso, é bem curiosa esta cidade. Poucos lugares no Brasil têm uma fronteira tão interessante. Duas avenidas cortadas ao meio por um discreto canteiro. De um lado, o Brasil, com comércio, leis e língua portuguesa; do outro, as mesmas coisas e o idioma castelhano. Podemos circular livremente pelos dois países sem nos darmos conta de que ora estamos num, ora, noutro. Além disso, aproveitamos para saborear uma deliciosa parrillada uruguaia, bem tradicional. A TV local ficou sabendo que estava aqui e veio me entrevistar na porta do hotel onde passamos a noite.
Como nos dias anteriores, a região é muito erma, não pude atualizar meu diário como gostaria pela falta de acesso a rede de internet. Então farei agora um pequeno resumo destes últimos dias:
Passei por lugares fantásticos, como a Reserva Ecológica do Taim, um lugar, para mim, mais do que especial, pouco conhecido pelos brasileiros. Riquíssimo em biodiversidade, com mais 200 espécies de aves, mamíferos, répteis e insetos. A região alagada é maravilhosa. Posso ver os bichos bem próximos à pista, passeando pelo banhado. Na sede do Ibama encontrei um velho amigo, Amauri Motta, chefe da unidade, com quem pude bater um rápido e proveitoso papo à beira da pista. Ele me explicou coisas interessantíssimas sobre a região.
Até chegar aqui no Chuí não foi fácil. Como já havia previsto, a distância entre os municípios dificulta as paradas e me obriga a dormir em povoados ou até mesmo em fazendas próximas à rodovia BR-471. O lado bom é poder conhecer pessoas novas, conhecer seus costumes, como vivem, cozinhar em fogão à lenha, escutar suas histórias e dormir escutando o som dos animais, como patos, porcos, vacas, entre outros. O céu completamente estrelado e a Lua cheia fecham com chave de ouro a noite. Para quem pensa que tudo é bonito e maravilhoso aqui vai um detalhe: a temperatura não ultrapassa os dez graus e nessa região é difícil encontrar um banho quentinho! rs.
Eu e minha equipe estamos felizes de ter chegado tão longe e ansiosos para atravessar o Uruguai.
Hasta la vista!!! Rs
Notícias do Uruguai
02/08/07 Chuy-Uruguai / Castillos-Uruguai
O carinho e a simpatia do povo uruguaio são gigantes. Por onde passo as pessoas acenam e gritam incentivando-me. Muitos dizem ter visto a matéria no Fantástico e também no canal local "Canal 4", para quem dei uma longa entrevista no final da tarde de quarta-feira, quando já estava instalado no hotel onde passei a noite.
A estrada com asfalto perfeito, bem sinalizada, sem um buraco sequer e bem tranqüila é tudo que um corredor como eu precisa. As paisagens por onde passei me encantaram.
Passei por dois lugares que marcaram o dia de hoje: A Fortaleza de Santa Tereza, construída na época da colonização do continente. Com suas muralhas de mais de seis metros de altura, a Fortaleza representa a luta entre portugueses e espanhóis pela posse das terras que hoje pertencem à nação uruguaia.
Cerca de 35 quilômetros adiante, passei por Laguna Negra, uma região belíssima. Um buraco no meio do mapa uruguaio que aos nossos olhos mais parece uma praia de água doce à frente dos pastos. A vista rendeu fotos e imagens bem interessantes.
No final do dia, depois de chegar e me instalar em Castillos, conheci o Sr. Rubens, um caminhoneiro muito simpático, que me explicou muitas curiosidades sobre o trecho que vou encontrar daqui pra frente em território uruguaio. Eu e minha equipe o convidamos para jantar conosco e a conversa se estendeu por mais algumas horas. Ele pôde contar suas aventuras no Brasil quando esteve em Florianópolis, Porto Alegre e sua lua de mel no Rio de Janeiro na década de 50. Disse que na época brigou com sua recém contraída esposa porque queria conhecer o Maracanã! Torcedor fanático do Nacional, também se declara torcedor do São Paulo, no Brasil.
Se os próximos dias forem como hoje, teremos uma ótima passagem pelo Uruguai!
03/08/2007 De Castillos a Rocha
As paisagens continuam muito parecidas com as do extremo sul do Brasil, a chuva castigou bastante (não parou o dia todo). Tênis molhado e pesado realmente não é o ideal para se correr.
Durante o percurso encontrei vários pássaros “quero-quero”, como chamamos no Brasil, ou gorrion, aqui no Uruguai. Me faz lembrar muito o meu percurso de treino. O ar neste percurso é muito bom, quase toda a estrada é cercada por pés de eucalipto. Aliás, sempre há muito verde em volta da estrada. Uma curiosidade engraçada são os bois à beira da estrada, eles parecem ser mais peludos (não sei qual o nome da espécie), com certeza só assim agüentam o frio daqui nessa época do ano. Outra coisa engraçada é que todos param de pastar e passam a me observar enquanto eu corro. rsrs…É bastante curioso!
Quando chegamos a Rocha ainda debaixo de muita chuva e frio, fomos muito bem recepcionados pelos amigos Julio, Gonzalo, Ana e Mario. O pessoal era muito animado. Assim como todos aqui, eles adoram os brasileiros. O Julio, para vocês terem uma idéia, no passado foi fazer um trabalho de duas semanas no Brasil e acabou ficando por dois anos… Ele me pediu para passar duas semanas na minha casa no Brasil… Eu achei melhor negar! rsrs (não por maldade). Me desculpe, Julio…
Bom, coisa séria agora. Números:
Consumo de alimentos até agora:
Macarrão – 40 quilos
Bombom - 35 caixas
Bolachas - 100 pacotes
Suspiro - 30 sacos
Pão de forma - 40 sacos
Barras de cereal - 180 barras
Isso sem contar os líquidos, que eu conto depois!
Dormimos bem…
04/08/2007 De Rocha a La Barra (92 Km)
Uma forte chuva, muito frio e um intenso vento contra me castigaram muito…Fui obrigado a correr com duas calças, três blusas de moleton, duas luvas (uma de latéx), e uma capa de chuva sobre tudo… Lembrando que ela não proteje meus pés, nem meu rosto. Isso tudo, até às quatro horas da tarde, quando o tempo começou a dar sinais de melhora… Dia duro! Até agora o pior em relação ao clima.
Minha equipe também sofreu bastante. Eles ficaram com tênis e calças molhadas o dia todo. Para quem não sabe, tenho que comer e beber com muita freqüência e eles passam uma boa parte do tempo fora do veículo de apoio. O trabalho do Jordy (fotógrafo e cinegrafista) também fica bastante difícil com chuva. Equipamentos eletrônicos não são feitos para chuva.
Depois de muitos dias correndo em meio a fazendas e pastos, enfim cheguei ao litoral . Fiquei maravillado com La Barra. Praia e visual lindos!
05/08/07 - La Barra - Balneário Solís (83km)
Pela manhã bem cedo saí de La Barra. Três quilômetros mais à frente passei por uma ponte belíssima bem conhecida nos cartões postais de Punta del Este. Ela tem uma arquitetura bem diferente, lembra de longe as costas de um camelo com suas corcovas e tem uma extensão de aproximadamente 70 metros com um braço de mar passando por baixo. A ponte divide os municípios de La Barra e Punta del Este. Em poucos minutos já estava cruzando um lugar maravilhoso na costa do Oceano Atlântico bastante conhecido pelo turismo internacional.
Punta é magnífica! Possui uma paisagem "muy preciosa", como dizem por aqui. Com construções faraônicas, edifícios altos, casas de veraneio à beira mar e um centro comercial forte, com cassinos e vários iates atracados do outro lado da ponta oposta ao mar aberto. Percorri as ruas da cidade, tranqüila no período de inverno.
Mais tarde passei por outras cidades balneárias ainda mais interessantes, como Piriápolis, que com sua arquitetura colonial e desenvolvimento turístico lembra ainda mais o estilo europeu. As praias são mais selvagens, as casas, de estilos variados e simples. É fácil encontrar chalés para alugar.
Depois de correr todo o dia cheguei a Balneário Solís. Aqui mais uma vez fomos muitíssimo bem recebidos por novos amigos conquistados durante o desafio. Javier, Delia, Maria, Alejandro, Leonardo, Enrique, Alexis, Elina, Marcelo, Alicia e Alexandre... Quase todos torcedores do Penharol Futebol Clube...rs.
Estes amigos trabalham em uma Colônia de Férias da Associação de Médicos de Montevidéu, onde passamos a noite, a cerca de 94 quilômetros do centro da capital uruguaia.
Após estarmos bem instalados e ambientados, de termos tomado um delicioso café com croissant convidados pelos funcionários da colônia, Robson e Jordy se aventuram na cozinha preparando uma macarronada a bolonhesa para o jantar.
06/08/07 - Balneário Solís - Montevidéu (94km)
Desde que iniciei o desafio, hoje foi um dos dias em que percorri uma das maiores distâncias. Apesar do frio e da chuva pela manhã, com a temperatura variando entre 3ºC e 5ºC, não venta e a sensação térmica alivia bastante com o corpo aquecido pelo esforço físico. Corri de shorts durante todo o dia. Devido aos dias anteriores ter corrido muito abrigado, fui penalizado com algumas assaduras na região da virilha. Passei bastante pomada e deixo a região descoberta para acelerar a regeneração da pele.
Já na capital, a cerca de 25 quilômetros do centro, passei por um ciclista. Depois de cumprimentá-lo, ele resolveu me acompanhar durante alguns quilômetros. Seu nome é Lalo, um uruguaio nascido na fronteira apaixonado por nosso país.
No final da tarde, a pouquíssimos quilômetros de encerrar o dia, o céu foi limpando e a noite começou estrelada. O centro da cidade é lindo, movimentado, característico das grandes cidades. Muitos monumentos e praças ao redor. O comércio com suas luzes acesas dá um toque especial. Fizemos vários registros de imagem em foto e vídeo.
No jantar, fomos a um típico restaurante uruguaio comer um saboroso prato de milanesa napolitana. A quantidade de comida servida no prato junto com seus acompanhamentos daria para servir três pessoas facilmente. Além disso, também provamos uma pizza de mussarela grande. Fui "obrigado" a ajudar minha equipe a terminar o prato, coisa que faço com muito prazer quando estou no meio de um desafio como este. Já comentei antes sobre minha reposição calórica, que deve ser muito bem cuidada!
Pagamos por este jantar com bebida, 300 pesos uruguaios o equivalente a R$ 30.
Durante nossa passagem por Montevidéu, pude ver e falar com alguns brasileiros que vivem por aqui. Nem sempre temos boas notícias. Em duas ocasiões fiquei muito triste e comovido com a vida que levam. Conheci Johnatam, um jovem rapaz de 21 anos que vive na rua guardando carros. Gostei de conhecê-lo. Um rapaz carismático com uma história de vida dura. Conversamos bastante e repartimos com ele algo de mantimento que levamos no carro e algumas notas de peso uruguaio para ajudar-lhe a legalizar sua situação no país.
Também lhe presenteei com uma camisa do evento. Johnatam ficou igualmente emocionado com minha história sobre o desafio que estou realizando. Disse várias vezes não ter palavras para agradecer. Pediu que eu autografasse a camisa e em seguida pontuou com a máxima: "Quero voltar ao Brasil, gosto de lá... Assim como você, Alexandre, sou brasileiro e não desisto nunca... Sorte pra você, amigo!". Nos despedimos com um forte abraço.
07/08/07 Montevidéu - Buenos Aires
O dia em Montevidéu amanheceu bonito e ensolarado. A temperatura subiu aos 18ºC, um prêmio para mim e minha equipe de apoio.
Passados 36 dias de desafio, já percorri 2.900 km. Na capital uruguaia tomaremos um barco para Buenos Aires. Antes de chegar ao terminal portuário de Montevidéu ainda tenho tempo de fazer um outro passeio pela cidade, mais precisamente pela conhecida Ciudad Vieja. Lugares muito bonitos. Nesta volta entre 7h00 e 11h45, horário que saía o barco para Argentina, tive tempo de entrar em uma loja e comprar uma boneca para minha filha Julia como lembrança da minha passagem pelo Uruguai.
Antes de começar a volta ao mundo prometi a ela que lhe compraria um brinquedo em cada país que eu passasse. Estou chorando de saudades dela e toda minha família. Para suportar tanta saudade, me concentro na frase dita por Julia, de quatro anos: "Corre bem fortão, papai!", pedindo para que eu termine logo e volte pra casa. A cada dia será um dia a menos que ficarei longe deles. Com treinamento se pode superar dificuldades como bolhas, assaduras, microlesões, queda de unhas, frio, chuvas, ventos, desarranjos intestinais, entre outros... Mas não existe treinamento que te faça superar a saudade das pessoas que você tanto ama.
Agora por volta das 15h00 estou em Buenos Aires, Argentina. Tivemos alguns problemas na alfândega de Buenos Aires. Trâmites burocráticos para ingressar no país com o veículo de apoio brasileiro.
Amanhã espero que esteja tudo regularizado para eu poder correr até o aeroporto internacional onde pegarei um vôo direto para Nova Zelândia, na Oceania.
Após sermos liberados para ingressar no país, minha equipe buscou um estacionamento perto do Consulado-Geral do Brasil para facilitar nossa vida aqui no país. Afinal de contas, teremos que retirar uma autorização por escrito do vice-cônsul do Brasil aqui na Argentina.
Em frente ao Consulado-Geral do Brasil encontrei com um rapaz do Rio de Janeiro que acompanhou minha largada pela TV ainda no Rio de Janeiro. Ele me esperou por longos minutos na porta do edifício querendo fazer uma foto comigo. Conversamos rapidamente. Me desejou muita sorte e energia para superar todos os desafios que encontrasse daqui por diante. Me elogiou, dizendo que já sou um vencedor por haver chegado até aqui. Ele se chama João Aurélio. Eu lhe presenteei com uma camisa do evento e ele fez questão de retribuir a gentileza presenteando minha equipe com uma garrafa de vinho que trazia na mochila. Um forte abraço pra você, Aurélio! Nos vemos na minha chegada ao Brasil.
Ao contrário do que diz a lenda, nossa primeira impressão a respeito do povo argentino é fenomenal. Estamos sendo tão bem recebidos aqui como em todos os lugares por que já passamos. Um amigo em especial nos chamou muito a atenção.
Luis Acosta, um funcionário de longos anos do estacionamento onde deixamos o carro. Um desportista veterano, se encantou com a história do desafio e nos conseguiu exatamente tudo o que precisávamos. Simpático, alegre, comunicativo, nos apresentou à metade do quarteirão, a todos os funcionários companheiros de trabalho, nos acompanhou para jantar explicando tudo sobre a cidade com muita paciência. Eu brinquei com ele dizendo ser o nosso embaixador aqui na Argentina.
09/08/07 - Buenos Aires - Argentina
Até agora corri 3.100 quilômetros. Passei por uns dos lugares mais lindos da América do Sul: Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, praias cariocas; litoral norte e sul de São Paulo, minha cidade Cubatão, pois lá moram as pessoas que mais amo na vida; Serra do Azeite, no Paraná; Serra do Espigão, em Santa Catarina; Serras Gaúchas, no Rio Grande do Sul; e a Reserva Ecológica do Taim, no extremo sul do país. Também já cruzei o litoral uruguaio, passando por La Barra, Punta del Este, Piriápolis, Balneário Solís, a capital do país Montevidéu, e agora Buenos Aires, na Argentina.
Hoje (dia 9) cheguei ao aeroporto internacional de Ezeiza. Amanhã de manhã embarco com destino a Auckland na Nova Zelândia.
Espero que o povo neozelandês me receba com o mesmo carinho com que fui recebido no Brasil, no Uruguai e na Argentina.
Quem me conhece e me acompanha sabe como é difícil para mim estar parado. Gostaria de poder contar somente com as minhas pernas, mas nestes trechos de oceano não existe outra alternativa.
Outra grande dificuldade será a adaptação ao fuso horário, que é de mais de 16h de diferença. Sairei daqui de Buenos Aires no dia 10, levarei aproximadamente 25 horas para o desembarque em Auckland, contando com a conexão que farei em Santiago do Chile, e quando lá estiver o calendário estará marcando dia 12 de agosto. Ou seja, dia 11 de agosto, será o dia que nunca existiu...rsrs... Em compensação, quando embarcar de volta, terei a sensação de voltar no tempo. Meu regresso está marcado para o dia 18 de agosto e quando desembarcar novamente em Buenos Aires, adivinhem qual será o dia: 18 de agosto, uma hora antes da que eu saí de lá! rsrs....
Para chegar em Ezeiza (aeroporto internacional) tive que correr por uma auto pista. Até aí nada de mais. O asfalto é bom, muito bem sinalizado, com acostamento largo que me oferece o mínimo de segurança. No entanto, por aqui a legislação de trânsito não permite que pedestres trafeguem pela autopista. Fui interrompido por uma viatura da polícia local que me explicou a situação. Expliquei a eles quem eu era e o que estava fazendo ali. Eles me convidaram a entrar na viatura dizendo que me levariam 3 quilômetros mais a frente, onde estava parada minha equipe no veículo de apoio. Expliquei que não poderia aceitar a gentileza pois colocaria o projeto de quase uma vida inteira em risco. Então os policiais acompanharam-me pela autopista escoltando-me amigavelmente até que eu pudesse encontrar a rota alternativa que me levasse até Ezeiza. Mais à frente encontro meus companheiros Robson e Jordy parados já na rota alternativa, esperando-me.
Eles já tinham sido avisados onde teriam que me esperar pelos mesmos policiais. Fui elogiado por eles e tratado com uma gentileza jamais pensada.
Agora na Nova Zelândia serei assessorado por uma nova família que vive lá há alguns anos. Estou levando para eles feijão brasileiro e bombons. Espero que eles fiquem felizes com os presentes!!! rs.
Lembro que para tentar ser um grande homem tenho que ter uma grande mulher. Graças a Deus tenho uma grande mulher, uma grande família e uma equipe competente. Narcila, Tadeu, Robson, Jordy, Helder, Tia Izilda e tantos outros se doam em prol deste projeto e seguem se preparando para me ajudar a resolver os problemas enquanto corro. Não vejo a hora de por o pé na estrada novamente!
12/08/2007 – North Shore de Auckland
Hoje cheguei à Nova Zelândia. Mais de 26 horas depois de sair do Aeroporto Internacional de Ezeiza (Argentina). Desembarquei no Aeroporto Internacional de Auckland em Manukau City.
Foram provavelmente as horas mais difíceis do desafio até agora. Cheguei à Nova Zelândia às 6 horas da manhã (horário de Auckland). A diferença do fuso daqui e de + 15 horas em relação ao Brasil.
Durante o vôo encontrei muitos brasileiros. Duas senhoras brasileiras, Yeva e Irene, eram minhas vizinhas de poltrona.
Ao desembarcar em Auckland encontrei outro brasileiro que trabalha na Liberação de Alimentos e Produtos Agropecuários que chegam aqui (MAF), o nome dele é Dante Romano. Muito simpático, Dante me deu o número de seu celular e se colocou à disposição para ajudar em caso de alguma necessidade.
Quando saí do aeroporto, Daniella (brasileira), Trent e Dave (neozelandeses) me aguardavam. Eles serão minha equipe de apoio enquanto eu estiver aqui.
Comecei a correr por volta de 7 horas; ainda cedo passei pelo Centro de Auckland, onde pude ver locais muito bonitos como a Sky Tower e o Porto.
O clima daqui hoje estava maluco, quatro estações num dia só: chuva, sol, vento, calor e frio.
Além do cansaço devido às 26 horas sem dormir e do fuso horário, tive que correr grande parte do percurso por estradas cheias de subidas e descidas, principalmente East Coast Road. Isso devido à própria geografia do país, que é de formação vulcânica.
Terminei o dia em Hibiscus Coast, comendo uma comida indiana “Butter Chicken” (parecido com strogonoff mas com um tempero mais forte), preparada pelo Trent.
Segundo minha equipe, amanhã vou correr por paisagens maravilhosas!
13/08/2007 – Orewa, Red Beach, Stanmore Bay, Manly, Tindells Beach, Army Bay and Shakespeare Park
Hoje corri por algumas das praias mais belas da costa leste da Nova Zelândia e provavelmente também do mundo.
Todo o dia foi maravilhoso. Às 7 da manhã, um pouco antes de começar a correr, conversei com minha esposa e minha filha por telefone. Recebi um Feliz Dia dos Pais das pessoas que mais amo nessa vida. A minha tia Izilda também me ligou para desejar o mesmo.
Depois de desligar o telefone, comecei a correr pelos cartões postais: Orewa, Red Beach, Stanmore Bay, Manly, Tindells Beach, Army Bay and Shakespeare Park
Trent e Dave me acompanharam filmando e fotografando tudo. Apesar da diferença de língua entre nós, conseguimos nos entender muito bem.
Além das belas paisagens, o que tem me marcado muito aqui é a importância que as pessoas dão à qualidade de vida. O povo daqui adora praticar esporte. É imensa a quantidade de pessoas que correm, caminham ou pedalam pelas ruas. Às vezes sozinhos, outras, em grandes grupos. Hoje passei por um grupo de idosos que estava fazendo Hiking (caminhando), prática muito comum por aqui. Em seus rostos se estampa a felicidade, mostrando o quanto é bom praticar esporte, independente da idade.
O tempo hoje esteve muito bom, ameaçando chover apenas três vezes. Na maior parte do tempo, o céu estava lindo, deixando as paisagens ainda mais bonitas. A quase todo momento eu dizia para o Trent e Dave: “It’s very, very, very beautiful” rs.
15/08/2007 - Whangaparoa, Kaukapakapa, Weelsford
Ontem, correndo apenas cerca de 70 quilômetros, sai de Whangaparoa, pela East Coast, em sentido ao Norte, passei por Waiwera, entrei em Puhoi, fui até Araparera, na West Coast, e voltei para East Coast.
Waiwera e Wenderholm são dois lugares fabulosos, muito lindos. Puhoi é uma vila histórica que os neozelandeses tratam com muito carinho. De Puhoi até Araparera, a estrada é asfaltada apenas em alguns quilômetros. O cascalho está presente na maioria do percurso.
Ao passar em Puhoi, entramos em um minimercado para comprar uma bateria para a máquina fotográfica. A dona do mercado me atendeu com muita simpatia. Aproveitei a sua cordialidade e lhe pedi para recarregar minhas garrafas de água. Ela me atendeu prontamente.
Agora, a parte mais engraçada do dia. No "meião" da Cross Road, havia dois funcionários responsáveis pela manutenção da estrada. Eles estavam sentados dentro de um caminhão. Perguntei-lhes se podíamos bater uma foto deles. Rapidamente, o mais novo pulou do caminhão, pegou uma brocha e um balde de tinta e começou a pintar a mureta de uma pequena ponte. Ele queria ser fotografado trabalhando. Até aqui tem essas figuras.
Hoje, comecei a correr na Costa Leste. Passei por Silverdale, segui em direção ao Oeste até chegar em Kaupakapa. Chegando lá, fui subindo a West Coast Road em direção ao Norte, passando por Kauranui, Araparera, Tauhoa, até chegar a Wellsford.
Durante praticamente todo o percurso, de cerca de 85 quilômetros, corri cercado pelas fazendas de criação de ovelhas. Pude, então, comprovar que a Nova Zelândia não tem apenas praias bonitas, que podem ser vistas quando se corre pela East Coast Road, como também paisagens interioranas maravilhosas, vistas pela West Coast.
Na West Coast, você, às vezes, corre muitos quilômetros sem ver uma única pessoa ou uma única casa. Hoje, o clima esteve perfeito. Por incrível que pareça, quase não choveu durante todo o dia, algo bastante difícil por aqui.
Nestes dias em que passei pela Nova Zelândia tenho comido muitos cookies, uma maravilha local, e muito pão com pasta de amendoim ou creme de chocolate.
Peço a Deus que o dia de amanhã seja tão bom quanto o de hoje.
16/08/2007 – Whangaparoa
Hoje, saí de Wellsford, descendo pela East Coast Road em direção a Whangaparoa. Apesar do percurso ser um pouco menor que o de ontem, foi bem mais difícil. Um vento fortíssimo soprou de leste para oeste, praticamente o dia todo. Havia horas em que parecia que eu estava correndo de lado. A chuva e o frio não perdoaram nem por um segundo.
Em termos de clima, foi um dos piores dias da Volta ao Mundo. O percurso, como em toda a Nova Zelândia, foi duríssimo. Mas as paisagens e o carinho das pessoas compensam todo o esforço.
Quando cheguei, pensei que iria encontrar um povo frio e sisudo. No entanto, depois de cinco dias, até os policiais passam por mim nas estradas e me cumprimentam: “my friend, my friend!”, dizem eles.
Durante o percurso, fiz questão de entrar rapidamente em Puhoi. Lá reencontrei as donas do minimercado que me disseram: "you are crazy". Mas depois se retrataram: "not crazy, not crazy".
Também no mercado reencontrei os dois trabalhadores da manutenção da estrada. Eles me recepcionaram dizendo: "my friend , my friend! Hello Brasil".
Além do tratamento carinhoso das pessoas, outra compensação que tive hoje foi poder correr novamente por Weldeholm, Walwera e Orewa, lugares maravilhosos até debaixo de chuva.
À noite, em Whangaparoa, fui recepcionado por John e Raewin, pais do Trent, e por sua avó Violet, uma senhora muito saudável e simpática, de 95 anos.
Amanhã, se Deus, quiser completo o trajeto da Nova Zelândia e poderei partir para um novo país.
17/08/2007 – Manukau
Hoje, deixei Whagaparoa e, aconselhado por Trent, desci em direção a Auckland pela estrada que percorre toda a costa litorânea.
Passei por Milford, Takapuna, Devenport e outras maravilhas da Nova Zelândia até chegar ao centro de Auckland. Depois segui até o Aeroporto Internacional de Manukau, onde amanhã inicio mais uma ultramaratona aérea.
Ao passar por Auckland, fiquei muito impressionado com a quantidade de asiáticos que vivem aqui. A impressão que dá é que no centro de Auckland vivem mais asiáticos que neozelandeses.
Hoje, além da minha equipe, Dave e Trend, tive a companhia da TV neozelandesa que havia solicitado uma matéria comigo. Como o povo daqui foi tão generoso, não poderia recusar jamais.
Acabei correndo um pouquinho mais, pois Sam, o cinegrafista, abismado e empolgado pedia a todo o momento: "please, Alexandre repeat". Até as bolhas dos meus pés ele quis filmar.
Houve momentos, poucos metros, em que ele quis me acompanhar a pé para filmar meu rosto de perto. Fiquei preocupado, pois Sam, com seus 1,90m e mais ou menos 120 kg, começou a ficar vermelho. Mas ele conseguiu. O cara é demais.
Despeço-me da Nova Zelândia com a certeza de que passei por um dos países mais lindos do mundo, onde as pessoas preservam suas belezas naturais e dão uma importância imensa para a qualidade de vida.
A beleza do país e o carinho das pessoas foram tamanhos que pouquíssimas vezes me lembrei de que, para qualquer lugar que estivesse correndo, estaria subindo e descendo pirambeiras o tempo todo, devido a geografia do país, e que o clima mudaria constantemente, devido a sua posição geográfica no planeta.
Quero agradecer, publicamente, a Trent e Dave que me ajudaram o tempo todo, apesar da diferença de língua, pois não falo inglês fluentemente e eles não falam português.
Também sou grato a Daniela (brasileira), esposa do Trent, que a todo momento ligava para o meu celular para ver se eu precisava de algo. Deixo um beijo para a Tyler e o Luis Otávio, seus filhos, e um abraço do tamanho do mundo para todo o povo neozelandês
New Zealand is very, very beautiful. (A Nova Zelândia é muito, muito bonita)
23/08/2007 – Aeroporto Internacional do Cairo
Hoje cheguei no Aeroporto Internacional do Egito. Estou um pouco triste porque a embaixada da Arábia Saudita não respondeu sobre a solicitação de permissão para filmagens do evento no país e, dessa forma, para evitar problemas, decidimos por não nos arriscarmos. Não posso atravessar um pais que não estamos autorizados a documentar o feito.
Infelizmente a situação para mim não é tão simples. Havia colocado a Arábia Saudita no projeto porque assim precisaria voar apenas três vezes em todo o desafio. Não atravessando a Arábia tive que voar cinco vezes apenas para chegar ao Egito e isso, além de não me ajudar, atrapalha muito, pois vejam:
1 - Estava na Nova Zelândia com 15 horas a mais no fuso horário, voltei ao zero para depois aumentar mais seis horas. Imaginem meu relógio biológico como está!
2 - Foram cinco dias que quase foi impossível descansar e me alimentar de forma adequada. Além disso, também tive muita dificuldade para tomar banho.
3 - Estou dando uma volta ao mundo a pé, portanto os milhares de quilômetros dentro de aviões não me acrescentam em nada.
A única vantagem nessa chateação é que acabo encontrando muitas pessoas que conhecem o projeto e, ao me reconhecerem, se aproximam para cumprimentar e me dar mensagens de incentivo. O interessante é que a maioria dos que se aproximam, após os cumprimentos e alguns segundos de conversa, começam uma enxurrada de perguntas como quantos quilômetros já corri, quantos tênis já gastei, para onde estou indo agora, se tenho comido muito macarrão e por fim pedem para tirar fotos. O bom disso tudo é que recebo deles, além do principal que é o carinho, várias guloseimas e lembranças.
Um abraço a todos brasileiros, mexicanos, chilenos, argentinos, paraguaios, egípcios, uruguaios, italianos, ingleses, americanos. Poxa, conheço gente de todo canto do mundo!!
24/08/2007 – Aeroporto do Cairo - Cairo - Rio Nilo - Pirâmides Gizé - Cairo
Depois de cinco dias voando pra lá e pra cá, se alimentando e dormindo mal, com dificuldades até pro banho, volto a fazer o que mais gosto -CORRER!
Hoje percorri um dos caminhos mais importantes da história da Humanidade. Iniciei o percurso no aeroporto internacional do Cairo, após passar a grande cidade do Cairo, atravessei o Rio Nilo e cheguei às Pirâmides de Gizé (a única das sete maravilhas do mundo antigo ainda existente).
Senti uma emoção muito grande ao se aproximar das pirâmides, pequenos filmes passaram pela minha cabeça. Lembrei de minha saída no Cristo Redentor (a maravilha brasileira que agora é uma das maravilhas do mundo moderno) e das minhas passagens por alguns dos lugares mais fascinantes do mundo e de todas as dificuldades que passei para chegar aqui. Lembro de minha mãe que sempre me falou da importância de se adquirir cultura independente da profissão que eu seguisse. Peço a Deus para que um dia minha filha possa vir aqui também.
O percurso foi um dos mais complicados até agora: o sol aqui é impiedoso (mais de 40 graus), o trânsito rápido e a quantidade de carros dificulta muito nosso trabalho (eu com o perigo de correr próximo deles e minha equipe de me suprir, filmar, fotografar etc.)
Até agora o povo egípcio tem se mostrado muito simpático. Estou aqui a apenas um dia e já fiz alguns bons amigos: Mohamed, que tem sido meu intérprete aqui, Ehab Adel, Hesham Adel, Ishaled Thwfeek, Aamedragab e outros.
25/08/2007 – Cairo - Elsafaina
Começo o dia próximo ao Cairo. Graças a Deus ontem a noite finalmente consegui descansar, me hidratar e me alimentar bem. A dificuldade com o trânsito continuou. Além disso, eles adoram buzinar. Eles buzinam pra tudo, até pro carro que vem atrás. Para vocês terem uma noção, imaginem todo o trânsito de São Paulo com todo mundo buzinando, isso e o trânsito do Cairo.
Durante o percurso temos algumas dificuldades para nos situarmos porque as placas e os mapas são muito complicados. Acabei correndo cerca de 20 quilômetros mais até conseguirmos encontrarmos o caminho certo para pegar a rodovia Ahmad Hilmi em direção a Alexandria.
O sol judia tanto que já até perdi a noção de quantos graus deve ter feito. Pela minha experiência, acredito que hoje tenha feito mais de 45 graus entre 12h e 16h. No entanto, nesse trecho do percurso o dia correu a contento (me alimentei e me hidratei bem).
Terminei o percurso em Elsafaina, onde tenho uma das melhores recepções de todo o percurso ate aqui. Meus novos amigos Mohamed Fatah, Maddy, Ezzel, Mito, Mousad, Ahmed, Hassan, Hamdey e Gamal me receberam com um carinho imenso. Apesar da dificuldade de comunicação, eles tentam fazer de tudo pra me ajudar: um foi buscar refrigerante; outro, água; um outro, milho assado salgado; e teve um que trouxe até chá. Mais atencioso ainda, foi um deles que consegui perceber nossa necessidade de carregar as pilhas das máquinas fotográficas e prontamente apareceu com um carregador. A recepção foi tão calorosa que dei a Mohamed, um tipo de líder religioso da comunidade, a camiseta que usei durante o percurso de hoje.
26/08/2007 Clima desértico no Egito
Hoje de manhã quando íamos partir de Elsafaina, ouvi de Mohamed, ladeado por nossos novos amigos, uma das frases que mais me emocionou em minha vida. Um simples "Don't forget us!", que significa “Não nos esqueça”.
Ouvir isso de um homem com uma simplicidade tamanha, mas de uma cultura e religiosidade que transcende minha compreensão, me fez mais forte na realização do que estou fazendo.
MOHAMED AND FRIENDS, I'LL NEVER FORGET YOU!
O clima hoje esteve verdadeiramente desértico: cerca de 45 graus sem uma única brisa sequer durante todo o dia. O risco de desidratação aqui é maior - o clima seco e quente exige uma sudorese maior e em alguns momentos a pele fica salgada. Tivemos muita dificuldade para conseguirmos água potável e gelada, uma preocupação a mais para minha equipe, pois o desequilíbrio de água e sal no corpo traz episódios nada agradáveis a quem corre longa distâncias. Ainda bem que sou acompanhado por profissionais competentes.
O que chamou a atenção nesse percurso é que, apesar do sol escaldante, a estrada é cercada de plantações de milho, arroz, pimenta e uva, tudo graças ao excepcional sistema de irrigação egípcio (uma qualidade histórica deste povo).
A simpatia desse povo continua me impressionando: quando passo, recebo palmas, escuto em um típico inglês-arabicano “Wellcome to Egypt” e recebo oferta de comida. Em certo momento passei por um parreiral maravilhoso, e ao ver alguns deles degustando uvas, bastou acenar com a mão e logo um deles me ofertou um cacho de uvas imenso (uma das mais doce que já comi). O dia terminou em um vilarejo a 112 quilômetros de Alexandria.
27/08/2007 - Alexandria - 112 KM
Depois de correr 112 quilômetros, já era noite quando cheguei a Alexandria. Quando entramos na cidade fomos recebidos por Ashmed Gaber e Shaimaa. O calor no Egito, como nos outros dias continua feroz. Principalmente no horário das 14h às 16 00s sempre está mais de 40 graus, chegando perto de 45 graus em alguns momentos. A temperatura do asfalto onde corro ainda é muito maior e mesmo usando muita pomada (dois tubos por dia), aqui no Egito não consegui evitar a assadura nas virilhas. No final da jornada, acredito que merecidamente, sentei em um restaurante em frente ao Mar Mediterrâneo e degustei vários sanduíches egípcios.
Além do calor, uma areia muito fina às margens da estrada faz levantar uma poeira que deixa tudo imundo, me traz dificuldade para respirar e de "quebra" me causou uma irritação nos calcanhares.
Durante o trajeto continuei recebendo muito carinho dos egípcios: Hanyabou Shaara me ofertou um tipo de pão com queijo maravilhoso. Uma curiosidade é que aqui no Egito quase tudo o que se come vem acompanhado com um tipo de picles picante (isso não deu pra comer).
De todo o percurso do Cairo a Alexandria, além da receptividade do povo Egípcio, o que mais me chamou a atenção foi a agricultura. Para todos os lados que se olha da rodovia, só se vê o verde das plantações. É impressionante. Hoje foi o dia que percorri a maior distancia aqui no Egito e nesse calor tive que consumir quase 30 litros de água, onerando o trabalho da equipe de apoio que a cada 10 minutos tinha que me dar algo para beber.